
Falha Comum
With a slight line up change in the drum department we see RAKTA tighten up their more tense, soundtrack natured developments alongside their more sparse and vulnerable elegance. They consistently manage to create a tripped out creep chamber with room to explore as the aura builds to nightmare crescendos juxtaposed with shaking silences. Simultaneously eerie and serene. With each new release we see more and more of what makes this group so essential in the canon of modern music. Jensen Ward ------- Inicialmente orbitando ao redor do pós-punk, o Rakta foi gradativamente compondo um universo sonoro abstrato e particular. Falha Comum, seu terceiro álbum, consolida esta direção unindo técnicas da música experimental com certos aspectos estruturais da canção para inventar o seu próprio ser em um pequeno manifesto sobre as ruínas do mundo. Ao lado do baterista e percussionista Maurício Takara (que firmou-se na banda após a mudança de Nathalia Viccari para Buenos Aires), Carla Boregas (baixo e eletrônicos) e Paula Rebellato (sintetizador e voz) criam uma atmosfera de transe expansivo. Mas de o que é esse transe? Nas músicas de rave acelerada, as batidas eletrônicas eliminam a rigidez entre corpo e alma, abrindo o indivíduo para ser "possuído por uma selvageria sagrada". Na ambient music, o caminho para o cosmos é uma imersão profunda em um espaço psicoacústico imaginário. Já no dub, o som torna-se incenso, um aroma sagrado que preenche o ambiente e possibilita o estado de desativação total. Ao mesmo tempo em que articula-se com estas três dinâmicas, o ritual cósmico do Rakta tem uma liturgia só sua. A voz fanstasmagórica arrebata e desaparece, como uma alucinação ou miragem. A acumulação dos loops percussivos do baixo e ritmos repetitivos da bateria não evocam o relaxamento meditativo. Ao contrário, há um caos discreto, uma tensão permanente, uma violência sempre à espreita. O mantra raktiano não diz respeito a uma calmaria transcendente, mas à concentração como dispositivo político de ação e transformação — abrir e fechar-se em si. Em “Estrela da Manhã”, somos lembrados: há um labirinto e a guerra está sobre nós. Vemos o mundo acabar pela janela. Mas o que fazer das nossas ruínas? Falha Comum está nesta encruzilhada à procura de modos para revirar os escombros da existência em um mundo cada vez mais sem sentido. Não há respostas. Mas persiste, ao longe, uma esperança inútil e necessária: edificar o espírito sobre essas ruínas. O riso do qual “笑笑” é antes de tudo uma vitória sobre o medo. O fim está no começo e no entanto continua-se. GG Albuquerque